quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Escola e tecnologia: uma conversa


 Alberto Tornaghi1

Tecnologia, sociedade e educação


Texto extraído de SALTO PARA O FUTURO / TV ESCOLA
WWW.TVEBRASIL.COM.BR/SALTO
Escola faz tecnologia faz escola – Programa 1


1.Introdução

“As coisas tinham para nós uma desutilidade poética.

Nos fundos do quintal era muito riquíssimo o nosso dessaber.

A gente inventou um truque pra fabricar brinquedos com palavras.”

Manoel de Barros, em Livro sobre nada.

Este texto abre a série “Escola faz tecnologia faz escola...” criada para o programa Salto para o Futuro, da TV Escola.  O que se propõe aqui é refletir sobre como tecnologia e escola se modificam mutuamente, quais os diálogos possíveis entre estes seres, ambos produtos do trabalho humano, ambos produções sócio-técnicas.

Aproveitando Manoel de Barros, propomos nos apoiarmos em nosso “dessaber” , em nossos “dessaberes” , para inventar brinquedos novos: com palavras, textos, imagens, sons etc.  É riquíssimo todo “dessaber”  que nos permite aprender.  E o que mais queremos da escola?

O que é uma escola? São seus muros? Suas salas? Seus professores e alunos? Os funcionários? Nada disso é uma escola. Tudo isso junto talvez forme uma escola. Tudo isso e muito mais: livros, cadernos, conhecimento, ignorância, curiosidade, parcerias... Propomos pensar a escola, cada escola, como um local onde se corporificam relações de ensino e processos de aprendizagem.

E o que a tecnologia traz para a escola?  Traz outras formas de aprender e outras coisas a aprender. 

Mas... e o que é tecnologia?  Onde há tecnologia? 

Comecemos, então.

2. Escola e tecnologia: quem faz o quê?

Al andar se hace camino

y al volver la vista atrás,

se ve la senda que nunca

se ha de volver a pisar.

«Caminante no hay camino,

se hace camino al andar»

CANTARES - Antonio Machado e J. M. Serrat.

Formação de Professores: um grande desafio



Desafios da escola: uma conversa com os professores
PGM 2 – O PROFESSOR E SUA FORMAÇÃO

Maria Umbelina Caiafa Salgado


Introdução

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases – LDB de 1996, o professor é um profissional da educação, que deve ter plano de carreira, acesso à formação inicial e continuada e condições adequadas de trabalho. Essas determinações de fato correspondem às demandas do pessoal docente, mas estão longe de ser uma realidade efetiva, neste momento. Não existem dados sistematizados sobre a formação continuada, nem sobre os estados que já criaram e implantaram seus planos de carreira e a avaliação de desempenho. O piso salarial profissional não passou ainda de um tema de discussão e as condições de trabalho apresentam muitas falhas. Mesmo a situação da formação inicial está muito aquém da desejável, havendo em exercício, na educação básica de todo o país, cerca de 1 milhão e 300 mil professores que não têm formação em nível superior.

No momento, estão sendo discutidas, em nível nacional, várias propostas de políticas destinadas a superar as deficiências no cumprimento das disposições da LDB a respeito do professor. No entanto, não pretendemos analisá-las neste momento. Nossa intenção é refletir sobre o pressuposto geral que fundamenta o Título VI e o Artigo 67 da LDB – o significado da noção do professor como um profissional – e o modo como a formação inicial e continuada pode contribuir para que o professor se perceba como um profissional.

Interfaces digitais para a organização e representação do conhecimento

Aneridis Monteiro[1]
           
          Vivemos em um mundo de constantes mudanças, principalmente do ponto de vista da aprendizagem. Há um número representativo de pessoas que tem dificuldades em aprender o mínimo necessário exigido para sobreviver nos dias atuais, pois há uma avalanche de informações; o que necessariamente não significa dizer uma avalanche de conhecimentos.
 Pode-se afirmar que nunca as pessoas de uma sociedade foram tão bombardeadas com tantas informações simultaneamente. Este momento social pode ser denominado de “sociedade da aprendizagem”, uma sociedade onde “aprender constitui não apenas uma exigência social crescente – que conduz ao seguinte paradoxo: cada vez se aprende mais e cada vez se fracassa mais na tentativa de aprender” (POZO, 2004).